Evolução da Carreira: Destino ou Escolha?
por Ério Nascimento
    Considerando a minha experiência profissional, construída em 32 anos de atuação em 8 empresas dos segmentos de siderurgia, agronegócio, saúde, distribuição de energia elétrica, sistema financeiro, educação e consultoria empresarial, companhias consideradas de grande porte e com processos de gestão de pessoas bem estruturados, desempenhando funções técnicas e diretivas nas áreas de Gestão de Pessoas e Planejamento, tive a oportunidade de conviver com vários profissionais em variados estágios de desenvolvimento das suas respectivas carreiras.
   Soma-se a minha atividade acadêmica de docente em programas de graduação e pós-graduação em Administração, ambientes que também me ofereceram a oportunidade de conhecer muitos profissionais de destaque nas suas empresas.
    Muitos destes profissionais têm demonstrado relevante competência, eficiência e comprometimento no planejamento, execução e controle sobre as suas áreas de gestão, com eficaz gerenciamento de recursos e objetivos que a eles são disponibilizados e cobrados pelas empresas.
   Demonstram diferenciada  capacidade para estabelecer ações, organizar recursos e tomar decisões, resultando no alcance ou até mesmo superação dos resultados esperados pelos seus superiores.
    A questão que constantemente eu tenho colocado como reflexão é a de que estes mesmos profissionais não apresentam os mesmos resultados em relação aos seus projetos pessoais, adotando uma postura reativa e até mesmo descompromissada para o estabelecimento dos seus objetivos, com o planejamento e controle de ações que suportem o seu crescimento profissional, independente das iniciativas e desejos das empresas em que trabalham.
    Em oportunidades que estou envolvido em entrevistas de executivos com 10 anos ou mais de experiência, uma das perguntas que freqüentemente eu faço é como a sua formação ocorreu, quanto ele buscou por conta própria suprir algum conhecimento ou habilidade que necessitava, independente do planejamento da empresa em que atuava.
   Atualmente eu já não me surpreendo mais com as dificuldades que alguns profissionais tem para contarem o que realmente fizeram por conta própria ou relatarem situações em que se anteciparam a sua chefia e propuseram participar de um curso, visitar uma outra empresa, envolver-se em projetos que estavam acontecendo em outras áreas da empresa, entre outras atividades, que provavelmente incrementariam o seu conhecimento e experiência profissional.
   Em sala de aula, especificamente nos programas de pós-graduação em que a maioria dos participantes enquadram-se no perfil de profissionais com mais de 10 anos de experiência, tenho perguntado a eles sobre quem tem em uma página, ou no máximo em duas, os seus objetivos para os próximos 3 anos, sustentados com o mínimo de ações e estimativas de prazos que nortearão o gerenciamento da sua carreira e a conseqüente maior assertividade no alcance dos seus projetos profissionais e pessoais.
    Infelizmente as respostas não são ao nível das que eu recebo quando pergunto sobre o planejamento das suas áreas e projetos sob as suas responsabilidades dentro das empresas em que trabalham.
    Hoje eu tenho a convicção de que não é por falta de conhecimento e experiência em planejar, coordenar e controlar um projeto, mas com certeza é a falta de uma atitude mais responsável consigo mesmo e até mesmo com as pessoas que tem uma dependência da sua realização profissional e pessoal.
      O “choro” de que a empresa onde trabalha há 5 anos ainda não oportunizou um incentivo para que ele realize um programa de pós-graduação, que provavelmente lhe possibilitará ascensão de carreira na própria empresa, ainda tenho a infelicidade de ouvir.
    Entretanto este mesmo profissional ao falar um pouco da sua vida, relata estar sempre com o carro do ano, realiza viagens de férias todo o ano, atividades entre outras que consomem parte importante do seu orçamento pessoal, não destinando recursos para investimento na sua carreira.
     Costumo complementar a pergunta inicial com mais duas, ou seja:
a. De quem é o emprego?
b. De quem é a carreira?
    Costumo enfatizar que o Emprego é das empresas que definem o que faremos, quando faremos, que remuneração receberemos e os resultados que deveremos alcançar. Sendo que por decisão unilateral da empresa ela pode a qualquer momento “pegar de volta” o emprego e destiná-lo a outro profissional.
     Por outro lado, saliento que a Carreira é do profissional uma vez que a sua trajetória estará colada no seu currículo por toda a sua vida, independente do destino das empresas em que trabalhou.
    Os conhecimentos, experiências, networking e imagem que desenvolvemos é um patrimônio individual, que se bem administrado, dá aos profissionais um diferencial competitivo impossível de ser imitado. 
    Se você entende que estas afirmativas são corretas, se você compartilha das mesmas idéias, provavelmente você encara o gerenciamento da sua carreira como uma escolha e não como um destino que de forma aleatória está sendo construído por alguém ou empresas, sem a sua análise, entendimento e comprometimento pessoal.

Ério Nascimento
Consultor empresarial.
Professor em programas de graduação e pós-graduação na ESPM (RS) e Universidade do Vale dos Sinos – UNISINOS (RS).
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